TEORIA DA CONSCIÊNCIA
DO UNGRUND AOS ARCONTES
Imagine que você tem nas mãos um quadrado perfeito de papel. Este papel não é comum, ele é infinitamente maleável, contém todas as formas possíveis e existe antes de qualquer coisa. Os filósofos chamam esse papel de Ungrund (o campo de todas as possibilidades).
Agora, pense em dobrar esse papel. Com uma dobra, você cria um vinco. Com uma série de dobras, você pode fazer um pássaro, um barco ou um dragão. Cada dobra escolhe uma possibilidade e a torna real, transformando o plano infinito em uma forma específica.
Esta é a primeira grande teoria, o universo não é feito de tijolinhos de matéria. Ele é como esse papel sendo dobrado. Tudo que você vê, uma cadeira, uma montanha, um pensamento, é uma "dobra" complexa no campo de possibilidades.
Para que o papel (o Ungrund) comece a se dobrar, ele precisa de dois princípios básicos, que podemos chamar de A Observadora (Sophia) e O Definidor (Logos).
O Estado de Onda (Sophia) seria como olhar para o papel intacto. Você vê todas as possibilidades ao mesmo tempo. É um estado de sensação, intuição e conexão. Quando você sente que "algo vai acontecer" ou percebe um padrão sem conseguir explicar, está no modo onda. É um olhar suave e aberto para o todo.
O Estado de Partícula (Logos) seria o momento da dobra. É quando você foca em um ponto específico, aplica pressão e cria um vinco. É um estado de ação, decisão e definição. Quando você nomeia algo (isso é uma árvore), toma uma decisão (vou pela esquerda) ou concentra a atenção, está no modo partícula. É um olhar focado e preciso.
A segunda grande teoria seria que a realidade não "é" onda OU partícula. Ela oscila entre esses dois estados, como o papel que está ora sendo observado em seu potencial total (onda), ora sendo dobrado em uma forma específica (partícula).
O que acontece quando uma dobra é repetida tantas vezes que vira um sulco profundo e automático no papel? Ele começa a se dobrar sozinho, sempre da mesma maneira, limitando as formas que podem surgir.
Nossa mente faz isso o tempo todo. Padrões de pensamento (nunca sou bom o suficiente), reações emocionais (raiva automática) e hábitos são como dobras automáticas. Vamos chamar esses padrões de Arquontes (forças que nos fazem repetir os mesmos comportamentos, como se estivéssemos presos em uma dobra).
Essa dobras automáticas podem ser desfeitas. O segredo é voltar ao estado de onda e observar o padrão com calma e curiosidade, sem se identificar com ele. Sob esse olhar suave e consciente, o padrão antigo perde força, e surge espaço para uma nova dobra.
E onde entra o Tarot/taro nisso tudo? Ele é uma ferramenta incrível para praticar essa dança entre onda e partícula.
As cartas são como um espelho para o "estado de onda". Quando tiramos as cartas, não estamos prevendo um futuro fixo. Estamos olhando para o campo de possibilidades de uma situação específica. As imagens simbólicas falam à nossa intuição (onda), nos mostrando padrões, conexões e potencialidades que a mente focada (partícula) não estava enxergando.
Ao refletir sobre o que as cartas mostram, nós escolhemos um novo significado, uma nova perspectiva. Esse ato de dar sentido é como fazer uma dobra intencional no papel da nossa vida, redirecionando a energia para um caminho mais alinhado e harmonioso.
A interpretação é um ato de "dobra consciente".
Essa visão nos leva a uma conclusão,
Você não é um boneco de papel sendo dobrado por forças externas. Você é a consciência que segura o papel e pode aprender a dobrá-lo com intenção.
Espero que este texto tenha aberto uma nova janela em sua percepção. Esta é apenas a porta de entrada para uma conversa muito mais rica.

